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terça-feira, 21 de julho de 2009

A Folha Verde

Este conto de fadas é um trabalho da universidade, mas ficou tão bom que resolvi divulgar com vocês...
Há muitos anos, existiu uma árvore na beira de uma estrada antiga, onde fazia uma curva acentuada e passava rente a um riacho.
Todos os dias, as crianças na volta da escola subiam na árvore e entravam descalças no riacho. Sentiam o contato frio da água em seus pés, inspiravam o doce perfume das flores e se refrescavam com o respingar da água em seus rostos.
Tudo era tranqüilo até chegarem em casa, a mãe era uma megera, os obrigava a trabalhar sem descanso, batia, arranhava e puxava-lhes o cabelo. As crianças viviam maltrapilhas e esfomeadas, enquanto que a mãe estava sempre bem vestida, descansada e corada.
Um certo dia na volta da escola Pedro, o mais velho disse:
__ Vou correr e chegar primeiro no galho mais alto da árvore!
__ Não vai mesmo, __ replicou João __ eu é que vou correr.
Saíram em disparada ladeira abaixo, João por ser o menor não tinha tanta agilidade quanto Pedro e acabou chegando bem depois. Ao se aproximar da árvore, deparou-se com uma velha bem velha, vestida toda de preto, de botinas e com um xale jogado nas costas.
__ Olá meus garotos, querem ficar ricos?
__ Ricos? __ disse Pedro __ É claro que queremos, o que precisamos fazer?
__ Nada demais, basta subir na árvore e arrancar a folha mais alta que você vir, mas precisa ser uma folha verde e brilhante.
__ Só isso? Farei agora, João, me ajude a subir!
Os dois garotos correram a arranjar pedras grandes para subirem mais alto, escorregavam, caiam, voltavam para o pé da árvore, mas não desistiram de jeito nenhum, em dado momento, Pedro esticou seu braço o máximo que pode e tirou de um galho fraquinho a única folha verde e brilhante, desceu todo empolgado e entregou-a a senhora como se fosse um troféu.
__ Muito bem meu rapaz! Agora, quando chegar em casa, irá correndo para o celeiro e no último cocho colocará esta folha na boca do cavalo que lá se encontra, tapará os olhos do animal, sairá e não olhará para trás, na manhã seguinte, antes que todos se levantem irá sozinho até a beira do riacho e jogará um cacho de seu cabelo na água corrente.
__ E quando ficarei rico?
__ Logo! Mas faça exatamente da forma que te falei.
A velha, dando um suspiro alto, cuspiu na cabeça das duas crianças e foi embora cantando uma velha cantiga de ninar.
As crianças, assustadas, voltaram para casa correndo, mas qual não foi sua surpresa quando viram sua mãe os esperando no portão. Ela estava tão zangada pela demora deles que os arrastou para dentro da pequena casa pelos cabelos. Bateu tanto, mas tanto que o pobre João acabou perdendo a folhinha... Puxa vida, e agora? O que fazer? Não teve outro jeito, limparam toda a casa e como castigo foram dormir com a barriga vazia.
__ Pedro, estou com fome!
__ Tome água João, que passa!
__ Pedro, eu estou com fome!
__ Não posso fazer nada, eu também estou com fome, vire para o outro lado, feche os olhos e durma.
Já era bem tarde, quando as crianças escutaram uma movimentação do lado de fora da casa.
__ O que será isso Pedro?
__ Não sei, vamos esperar para ver o que acontece!
Saíram de fininho e viram amarrado na argola da janela uma pequenina fita vermelha e na ponta desta a folha verde da árvore.
__ Nossa folhinha! __ disseram as crianças animadas, mais que depressa correram a fazer tudo o que a velha havia dito.
Na manhã seguinte, depois que Pedro voltara do riacho e já estava limpando a lareira, sua mãe o olhou e soltando um grito horrendo explodiu em milhões de pedaços.
As crianças choravam muito quando de repente pela porta entrou a velha segurando uma linda mulher pela mão, com um sorriso amável e bondoso. Foi Pedro quem gritou primeiro:
__ Mamãe?
__ Isso mesmo meu filho, você conseguiu quebrar o feitiço que estava em mim há tantos anos. Quando o pai de vocês morreu, o rei e deixou toda a fortuna de herança para nós e não para a madrasta dele, ela se zangou e me transformou em égua, ocupando assim meu lugar na casa, fazendo que vocês trabalharem como escravos. Ainda bem que vocês encontraram esta boa e velha bruxa que pode desta forma retirar o encantamento. Estou orgulhosa de vocês.
A velha bruxa tomou de seu bolso a folha verde da árvore e picando-a em mil pedaços espalhou-os pela casa inteira. No mesmo instante houve um grande tremor de terra e das profundezas nasceu um lindo e claro castelo.
__ Vejam meus filhos, voltamos a morar em nosso castelo, lá está meu trono e ali um rio inteiro de suco de groselha, podem ir se lambuzar!
E foi assim que tudo voltou ao normal na casa de Pedro e João, eles tiveram momentos maravilhosos ao lado da mãe e da boa bruxa de xale preto e botinas, e viveram felizes para todo o sempre...

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